Título: Learning To Breathe
Autor(a): Juliana
Shipper: Robsten
Gênero: romance, universo alternativo
Censura: NC-17
Depara-se consigo mesmo em um barco em um rio
com árvores de tangerina e céus de marmelada
Alguém te chama, você responde muito lentamente
Uma garota com olhos de caleidoscópio
A casa do Tom não era longe da escola e fomos caminhando até lá.
Era estranho caminhar com Rob pela rua. E ao mesmo tempo, tão natural.
Como se eu tivesse feito isto a minha vida toda. Com se não o conhecesse a apenas alguns dias.
O que era absolutamente ridículo.
-Sabe de uma coisa Kristen? – ele disse quando segurava a porta do prédio pra mim.
-O que?
-Quem vai te resgatar do chão do banheiro quando estiver sozinha?
Eu me virei pra ele e vi que estava rindo.
Era uma piada.
E eu me obriguei a rir também. Embora não achasse a menor graça.
-Quem disse que estarei sozinha?
Ele franziu a testa, sério.
-Achei que sua idéia fosse morar sozinha.
Eu dei de ombros, quando entramos no apartamento do Tom e largava a bolsa no sofá.
-Talvez não – eu tirei o anuncio do bolso – este daqui é de uma garota.
Mas ele tinha razão. Eu não queria morar com ninguém.
E dada as circunstâncias, o ideal era mesmo ficar sozinha.
Sem perguntas. Sem dar satisfação a ninguém.
-Que garota? – Tom apareceu com uma tigela de cereal e com cara de quem tinha dormido o dia todo.
-Pra dividir o apartamento – Rob falou.
-É, mas eu acho que tem razão. Eu prefiro morar sozinha.
-Sozinha? – Tom estranhou – você não tem idade pra morar sozinha.
Eu joguei uma almofada em cima dele.
-Cala a boca. Aliás, o seu amigo aqui ofereceu a ajuda pra eu achar uma casa, Você podia me ajudar também.
-Agora? – ele falou preguiçoso.
Eu revirei os olhos.
-Ta bom. Amanhã. Depois da minha aula.
-Vou marcar na minha agenda.
Eu ri e fui pra cozinha.
Ia mesmo sentir falta do Tom.
Ele era como um irmão mais velho, eu pensei pegando uma garrafa de leite da geladeira e levando a boca.
-Kris?
Eu quase dei um pulo ao ver que Rob tinha ido atrás de mim.
-O que é?
-Eu não te agradeci por ter me ajudado a me mudar.
Porque ele estava falando aquilo agora?
De repente eu me perguntei se Rob também se parecia com um irmão mais velho pra mim.
Não, definitivamente não.
Eu não sabia bem definir o que ele era. Mas não era como um irmão.
-Amigos são pra estas coisas não é? – falei.
Sim, ele podia ser meu amigo.
Ele sorriu lentamente e eu senti meu estomago dando um nó estranho.
-Sim, somos amigos – ele se aproximou e pegou a garrafa da minha mão, levando a boca e eu o observei,sentindo de novo aquele frio na barriga.
-Amigos – repeti.
No dia seguinte, depois da minha aula, lá estavam eles.
Eu sorri, gostando de vê-los ali, me esperando. Em pouco tempo, estariam fora da minha vida.
Eu senti uma tristeza súbita.
Não se apegue, Kristen, disse a mim mesma.
De qualquer maneira, aquela vida em Londres não era a minha. E ela acabaria um dia.
Estava só antecipando o tempo com eles.
-Então onde vamos?
-Vamos começar pelo centro? – Tom pegou um jornal e tinha uns anúncios circulados.
-Certo, muito profissional senhor Tom.
-Sim, super profissional. De créditos ao meu assistente, ele que comprou o jornal.
Eu ri.
-Sim, os dois trabalharam muito, quase fico com pena de vocês – ironizei.
-Também não precisa ser irônica. – Tom reclamou e Rob riu.
-A Kristen acha que somos dois vagabundos Tom, alías, ela perguntou se você me sustentava.
Eu o fuzilei com o olhar.
-Eu estava brincando.
-Não estava não – ele provocou.
-Acho que é aqui – Tom falou quando paramos em frente a um prédio caindo aos pedaços.
-Aqui? – fiz uma careta.
-Vamos subir – Tom falou e nós o seguimos.
O apartamento era um horror.
E rimos muito disto depois, quando bebíamos juntos num pub.
E nos outros dias fizemos a mesma coisa e nada prestava.
E, conscientes ou não, nos tornamos um trio praticamente inseparável pelas ruas de Londres.
Íamos a todos os lugares juntos, procurando alguma casa, ou bebendo em algum pub eu simplesmente ficando em casa de bobeira.
E aquele papo de “não se apegue, Kristen” estava indo pro buraco. Isto era fato.
Mas eu não conseguia me afastar deles. Era tão natural, quase como se fossemos uma família.
Tá, família era um certo exagero.
Mas a verdade era que eu não me lembrava da última vez que tinha me sentido tão bem.
E tão distante de tudo. Do meu outro mundo.
Até os sonhos tinham parado.
E não era pra isto que eu tinha ido pra Londres? Pra esquecer?
Eu só esperava que tudo permanecesse assim quando eu finalmente fosse embora.
Mas, pensar em ir embora me deixava triste, e eu me peguei rezando para que o próximo apartamento fosse um lixo, como todos os outros, quando sai da aula naquela tarde.
E só Rob estava me esperando.
Ele sorriu ao me ver, daquele jeito que me fazia desviar o olhar.
Eu tinha que admitir que eu não conseguia encará-lo quando ele sorria.
Era ridículo, mas era verdade.
Porque me fazia sentir coisas que eu não queria sentir.
Como aquele calor repentino, ou meu coração disparado, ou aquele frio na barriga.
E outras coisas mais que eu não queria nem pensar.
Então eu abstraía.
-Cadê o Tom? – indaguei.
-Tinha umas coisas pra resolver…
-Que pena… – eu de repente me senti meio preocupada. Era a primeira vez que o Tom não estaria com a gente – Certo, então talvez devêssemos deixar isto pra amanhã, acho que estou mesmo meio cansada…
-Tudo bem, então vamos tomar um café.
-Eu preferia ir pra casa.
-Mas eu preferia tomar um café – ele disse e eu desconfiei de alguma coisa ali.
-Porque não posso ir pra casa? Onde o Tom está mesmo? Ah.. Por acaso o Tom está em casa com alguém é isto?
Rob riu.
-Você é muito desconfiada Kristen.
-Não respondeu.
-É, digamos que ele está com alguém lá sim.
-Ah – bem, não era o fim do mundo era? Na verdade eu não tinha visto o Tom com ninguém desde que me mudara pra casa dele. Será que eu estava atrapalhando a vida sexual dele?
-Certo. Vamos tomar um café – disse resignada.
Enquanto estávamos sentados ali, olhando o movimento da rua eu me perguntei se Rob não tinha mais encontrado a tal ex namorada.
Eu tive vontade de perguntar mas me calei. Tudo bem que éramos amigos, mas nem tanto.
-Esta brava com o Tom?
-O quê?
-Você fica pensativa, fazendo caretas, como se estivesse brava.
-Claro que não estou brava com o Tom? Porque estaria, que bobagem. Na verdade, ele deve achar um saco me ter por perto. Devo estar estragando os encontros dele.
Rob riu.
-Vou falar isso pra ele.
-Pra vocês ficarem rindo? Que idiotas vocês são – mas eu também estava rindo.
Nós ficamos ali por mais um tempo, depois saímos e fomos andando pra casa do Tom.
-Tem certeza que podemos ir? – já havia anoitecido,mas vai saber?
Ele ria.
-Sim, podemos ir.
Então quando abri a porta do apartamento levei um susto.
Havia bexigas pra todos os lados e uma faixa, muito mal feita aliás escrito em letras garrafais.
“Feliz Aniversário Kristen”!
E Tom surgiu do nada um bolo cheio de velas.
O Bolo tinha uma bandeirinha dos Estados Unidos em cima.
Eu encarei Rob estupefata e ele sorria, mas desta vez eu nem lembrei de desviar o olhar.
-Feliz aniversário Kristen.
Deus, eles tinham razão. Hoje era mesmo meu aniversário
e eu tinha esquecido!
Os olhei embasbacada para eles sem saber o que dizer.
De repente um bolo tinha se formado na minha garganta.
Aqueles dois caras que mal me conheciam tinha feito aquilo por mim.
Eu tentei dizer alguma coisa, mas apenas engasguei e eles riram. De alguma maneira Rob me empurrou pra dentro e Tom me dava um abraço apertado com um braço, me tirando do chão e depois colocava o bolo na minha frente.
-Faça um pedido.
De repente eu me senti triste e sacudi a cabeça para me livrar daquele pensamentos obscuros e apaguei as velas. O pedido ficaria pra depois.
-Vocês são malucos – consegui falar finalmente – Não precisava de nada disto! Eu odeio vocês. Sabe o quanto detesto estas coisas?
Tom jogou uma garrafa de alguma coisa alcoólica na minha direção.
-Agora você pode.
Eu ri e tomei o que parecia ser wisky.
-Roubei da dispensa do meu pai – Tom explicou.
-Que vergonha, Tom.
-Você merecia.
-Bem eu espero que seja só isto que aprontaram.
Ele ficou vermelho e coçou o cabelo.
-Eu queria comprar um presente pra você, mas sabe como é, meu velho não liberou a grana.
-Ah, eu odeio presente. Sério. E você roubou este wisky, posso considerar seu presente.
-Mas o Rob comprou algo pra você.
Eu o encarei e ele tinha mesmo uma caixa grande nas mãos e eu fiquei muito vermelha.
-Eu falei que odeio presentes – murmurei.
E ele riu daquele jeito que me deixava sem graça.
-A gente imagina o quanto de coisa você detesta Kristen.
Eu peguei a caixa e abri e fiquei boquiaberta com o violão.
-Mas… eu não posso ficar com isto.
-Por que não? Também odeia violões?
-Mas isto é… demais.
Ele riu e abriu uma cerveja não falando mais nada.
Tom quebrou o silêncio colocando mais uma bebida na minha mão.
-Se você quiser a gente pode sair para algum lugar.
Eu dei de ombros.
-Eu preferia ficar aqui, se não se importam.
-Hoje você quem manda.
Assim a noite se arrastou, com muita bebida e papo furado. Tom me obrigou a tocar violão, o que foi um desastre e Rob disse algo sobre ter que me ensinar.
No fim, ele mesmo acabou tocando e Tom também e nós rimos de uma versão horrível de Lucy in the sky, que Tom achou que ficaria boa como Kristen in the sky.
-Você tem mesmo olhos de caleidoscópios – Rob disse uma hora e eu o fitei.
-O que quer dizer?
-Ás vezes eu acho que te entendo, mas aí você muda, como se tivesse se encondendo…
Eu ri.
-Você está bêbado.
Eu olhei para o Tom, que estava dormindo no chão a nossa frente e ri.
-E o Tom já era.
Nós dois rimos e então algo inesperado aconteceu.
Do nada, sem que e esperasse ou previsse, ele abaixou a cabeça e roçou os lábios nos meus. Eu ainda estava rindo, mas o sorriso morreu na minha boca, ao sentir os lábios dele contra os meus. Foi tão rápido e efêmero que quando ele levantou a cabeça, eu me perguntei se tinha acontecido mesmo.
Nós ficamos nos encarando por uns segundos suspenso no tempo, o rosto dele ainda muito próximo do meu, tão próximo que eu sentia seu hálito quente contra minha boca.
Sem pensar, eu e pressionei minha boca na dele também.
Nossos corpos não se tocavam, apenas nossos lábios se juntavam em beijos curtos e meio tímidos, que durou apenas alguns segundos, antes que eu me afastasse o fitando meio ofegante.
-Não – eu sacudi a cabeça negativamente.
-Concordo com você – ele disse meio tenso, meio sorrindo.
E nunca esteve tão lindo pra mim.
Droga!
Mas nós dois estávamos com a razão. Não ia rolar.
Nunca ia rolar.
Por milhões de motivos uns óbvios outros nem tanto, aquilo fora apenas um beijo.
Um beijo ótimo. Mas apenas um beijo.
-Eu vou dormir – disse, abaixando a cabeça, sem conseguir encará-lo.
-Boa noite Kris. – ele sussurrou.
E algo dentro de mim queria voltar, queria beija-o de novo, queria…
Deixa pra lá.
Eu acho que estava meio bêbada afinal. Ou totalmente.
Eu deitei e fitei o teto.
Me sentia estranhamente viva, como se tudo em mim tivesse uma nova cor, mais vibrante e profunda, em vez dos tons de cinza e opaco que eu avistava antes.
E eu adormeci com um sorriso nos lábios.
[continua]
Amando essa fic!
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que capitulo mais LINDO!
ainda bem que tem outro
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Amando esta nova fic! Está cd vez melhor! E vamos pro próximo cap. Presentão! Valeu!
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boa champz
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