Only Hope – Capítulo 22

“Eu não tenho bastante certeza de como respirar

Sem você aqui

Eu não tenho bastante certeza se eu estou preparado pra dizer adeus

Para tudo que fomos

Esteja comigo

Fique comigo

Apenas por agora

Deixe o tempo decidir quando eu não precisarei de você

Minha mão procura pela mão

Em um quarto escuro

Eu não encontro você

Me ajude

Você está procurando por mim?

Posso sentir… nunca mais

Minta para mim, estou caindo

Não posso derrubar você

Me diga que não preciso de você

Minha mão procura pela mão

Em um quarto escuro

Eu não encontro você

Me ajude

Você está procurando por mim?

Coloque isso dentro do meu cérebro pra mim

Me diga como eu devo me sentir

Aonde tudo irá

E como eu serei sem você do meu lado

Minha mão procura por sua mão

Em um quarto escuro

Eu não encontro você

Me ajude

Você está procurando por mim?“

Need – Hana Pestle.

Eu acordei com vozes no meu quarto.

Mas eu não queria abrir os olhos e deixar que minha família me visse daquele jeito.

Meu corpo doía por ter dormido na mesma posição durante tanto tempo e sinceramente, eu não me importava.

- Carlisle? – minha mãe o chamou. – Acho que ele está acordando.

Houve um silêncio no quarto. Apenas os soluços baixo de Esme eram ouvidos pelo quarto.

- Edward? – meu peito foi sacudido. – Vamos filho, acorde. – ele pediu.

Eu abri meus olhos contra minha vontade e encarei os olhos azuis do meu pai.

- Oh Deus! Graças a Deus! – minha mãe disse aliviada.

- Você está bem? – Carlisle perguntou.

- Estou. – minha voz saiu rouca por causa da garganta seca.

- Tome. – Jasper me estendeu um copo de água e eu me sentei na cama. Ignorando as minhas dores musculares e a minha própria vontade de ficar deitado mais um pouco.

Esme me abraçou quando eu acabei de beber a água e Carlisle se sentou na mesa.

- O que aconteceu meu filho? – meu pai perguntou preocupado.

- Ela foi embora pai. – o nó se formou na minha garganta. – E eu não quero falar sobre isso.

- Tudo bem, não vamos falar sobre isso agora. – ele disse. – Quantos você tomou? – ele perguntou me amostrando o frasco do calmante.

- Uns 4 ou 5. – eu disse massageando minhas têmporas. – 5 eu acho.

- Você bebeu? – ele perguntou.

- Sim, uma dose de whisky. – respondi.

- Você tomou isso com a consciência que essa associação poderia te matar Edward? – seu tom de voz era severo.

O que eu poderia dizer?

Mentir e dizer que não?

Eu sabia que calmante e álcool não se misturam, mas eu realmente não me lembrei disso ontem.

Ou eu poderia dizer ele que minha intenção era realmente essa…

- Me desculpe pai. – eu olhei nos seus olhos.

Quando olhei Esme, ela chorava e tapava a boca com a mão.

- Me desculpe mãe… eu… eu só queria esquecer. – disse com a voz embargada.

- Se matando? – Jasper disse nervoso. – Além de todas as merdas que você passou na vida agora você vai adicionar suicídio ao seu currículo Edward? – ele alterou a voz. – Você dormiu por quase dois dias imbecil e eu juro que se você deixar a mamãe no estado que ela ficou eu mesmo mato você.

- Jasper! – meu pai o repreendeu.

- O quê? – ele perguntou irônico. – Por isso que ele é assim! Vocês sempre passam a mão na cabeça dele. Ele precisa acordar pai! Qual é? Ele vai parar quando? Quando a mamãe tiver um enfarto por causa de tanto se preocupar com ele? – ele me encarou e apontou o dedo pra mim. – Eu espero que você cresça Edward. – eu senti o ácido na sua voz. – E parabéns… você acabou de afastar mais um da sua vida. Eu não vou ficar aqui assistindo sua desgraça de camarote.

Ele saiu do quarto batendo a porta com força.

- Não dê ouvidos a ele querido. – minha mãe me abraçou de novo. – Ele está nervoso e ficou muito preocupado com você.

Eu suspirei derrotado.

Que merda eu estava fazendo com a minha vida? Com a minha família?

Isabella não merece isso. Nem meu ódio ela merece.

Ela merece ser esquecida e tudo o que vivemos apagado.

- Ele está certo, mãe. – eu a olhei. – Me desculpe, isso não vai acontecer de novo.

- Querido você precisa se cuidar. – ela disse com lágrima nos olhos. – Eu não sei o que aconteceu antes de você tomar os remédios, mas o que quer que seja pode ser consertado. Vocês se amam tanto Edward…

- Ela não me ama mãe, nunca me amou. – eu disse triste.

Ela e meu pai ouviram chocados e a única coisa que minha mãe conseguiu dizer foi “Eu não acredito que Bella tenha feito isso”.

Eles me disseram que foi Lita que chamou eles quando percebeu que eu não acordava.

Depois de uma longa conversa, minha mãe achou a carta de Bella e chorou ao lê-la.

Ela também me permitiu que eu chorasse um pouco em seu colo.

No final da tarde, eu já estava de banho tomado e alimentado.

Jasper e meu pai tinham ido embora e minha mãe disse que ficaria comigo, pra me fazer companhia.

Mas eu sabia que ela queria me vigiar pra que eu não cometesse mais alguma “loucura”.

No outro dia pela amanhã acordei com uma puta dor de cabeça e meu celular tocando.

Era Jessica.

- Oi Jess. – atendi com a voz arrastada.

- Ah merda! Eu sempre esqueço o fuso horário. – ela riu.

- Tudo bem, eu já ia levantar. Você não me acordou. – menti.

- Estou te ligando pra saber se você e Bella viram pro nosso tour? Se lembra? – ela perguntou animada.

Oh Deus!

Eu queria gritar com Jessica e dizer a ela que não proferisse aquele nome, mas me contive.

- Nós não estamos mais juntos Jess. – falei.

- Como não? O que houve? – seu tom de voz mudou pra um preocupado.

- Uma longa história que eu te conto quando chegar a Inglaterra. – eu disse.

- Oh meu Deus! Você vem? – ela quase gritou.

Sim, eu iria.

Seria bom me afastar um pouco e pensar em tudo o que tinha acontecido nos últimos dias.

Pensar em como minha família vinha sempre antes de qualquer mulher que eu me envolvesse.

Nenhuma merecia ser posta na frente da minha família.

Eu desliguei a ligação depois de dizer a ela que iria amanhã pra Inglaterra. E marcarmos dela e Gale me pegarem no aeroporto de lá.

Eu avisei minha família que estava viajando.

Pedi minha demissão no hospital, mas meu pai não quis me dar. Ele disse que eu voltaria a trabalhar lá logo e apenas me deu as minhas férias que estavam acumuladas.

No dia seguinte meus pais me levavam ao JFK. Meu destino era a Europa.

- Prometa que irá se cuidar meu filho, por favor? – minha mãe pediu.

- Eu vou ficar bem mãe. – dei um beijo em sua testa.

- Nos avise quando chegar, ok? – meu pai pediu.

Eu abracei os dois e embarquei.

O vôo durou quase 7 horas e eu cheguei exausto em Londres.

Jessica e Gale me esperavam no aeroporto e fomos direto pra casa deles. Tudo que eu queria era um banho quente e cama.

Fazia um frio anormal em Londres e eu que sempre achei que o inverno em NY era severo.

Jessica quis conversar, mas eu apenas a disse o básico. Que eu não estava mais com ela.

Eu não gostava de falar sobre isso. Eu me forçava a não pensar sobre ela ou o que tivemos juntos.

Ela não tinha o direito de habitar minha mente e invadir meus pensamentos.

Nosso “tour” durou um mês.

Nós conhecemos as principais capitais da Europa e viajar me revigorou. Eu estava me sentindo um adolescente novamente viajando de trem e com apenas uma mochila nas costas. Sem destino, sem perspectiva… onde nós parávamos, ficávamos.

Conhecemos Roma, Paris, Cataluña e Madrid, Lisboa, Atenas, Praga, Frankfurt, Dublin, Istambul e Budapest.

Mas o que mais me encantou foi a região da Toscana na Itália e Frankfurt.

Lá eu comi o melhor döner kebap da minha vida. E eu achando que o melhor estava em Miami. Nada como um legítimo alemão.

Quando nossa viagem acabou voltamos pra Londres.

Eu estava feliz de ver a felicidade de Jessica. Gale era um bom homem pra ela e eles pareciam estar apaixonados.

Depois de umas semanas em Londres eu me inscrevi em um curso em Oxford.

Um curso de aperfeiçoamento em gravidez múltipla de alto risco. Fazia tempo que eu queria fazer esse curso e uma das melhores universidades do país me proporcionou isso.

Quando eu percebi já estava na Europa a 3 meses e eu não tinha a menor intenção de voltar a NY.

Eu era feliz em Londres e quase nunca pensava nela.

Seu gosto foi esquecido, assim como seu cheiro. Eu não suportava mais morango ou cereja e assistir comédia me dava náuseas. Eu não queria nada que me lembrasse ela.

Era como se ela nunca tivesse existido…

Eu estava sozinho em casa um dia quando meu telefone tocou.

Era o meu pai. Eu não sabia, mas aquela ligação de apenas alguns minutos mudaria minha vida.

Pra pior ou pra melhor… eu que tinha que decidir isso.

- Oi pai. – atendi.

- Meu filho! Como está? – ele perguntou animado.

- Bem e todos por ai?

- Bem também. – ele suspirou. – Estamos com saudade Edward. Quando volta?

- Eu não sei pai. – fui sincero. – Ainda vai demorar um pouco. Eu estou gostando de Londres.

- Que bom filho, mas eu tenho uma proposta pra te fazer. – ele voltou a ficar animado.

- Pai, se for pra voltar a NY nem adianta. – eu disse.

- Bom, é pra voltar, mas não é NY. – ele disse.

- O que seria então? – perguntei curioso.

- Descobrimos uma gestação múltipla, são gêmeos e sianemes. – ele disse. – O caso foi passado ao Presbiterian como transferência, mas a gravidez é de alto risco e ela não pode ser transferida, então vamos mandar uma equipe até lá. – ele disse. – Já temos um ortopedista, um neurocirurgião infantil, pediatras e só nos falta o obstetra… Como queremos o melhor… Você foi escolhido.

Aquilo era o sonho de qualquer médico. Um caso raro e complicado em suas mãos. Uma responsabilidade que eu me sentia seguro em pegar graças ao curso em Oxford.

Eu não precisava nem pensar. Se fosse em NY eu me viraria, engoliria meus medos e receios e voltaria pra lá.

Ela não merece que eu me prive disso também.

- Eu aceito pai. – disse com a voz firme e animado pra voltar e pegar o caso.

- Eu sabia que aceitaria meu filho, mas você precisa voltar logo. A gravidez já está avançada e iremos depois de amanhã até lá.

- E onde é essa cidade? – perguntei.

- Forks em Washington. – respondeu.

Eu senti um arrepio pelo meu corpo e minha mente idiota projetou o cheiro dela em minhas narinas.

- Edward? – meu pai me chamou.

- Oi pai… me desculpe.

- Quando vem? – ele quis saber.

- Vou resolver agora com a companhia aérea e já te aviso. – eu disse.

- Ótimo! Eu só preciso te avisar uma coisa. – ele disse com cautela. – A ortopedista da equipe é Victoria, algum problema?

- Não pai, nenhum. Victoria é excelente no que faz. – isso eu não podia negar.

Nos despedimos e eu liguei.

Jessica chorou quando eu fui embora e na noite seguinte eu estava entrando na minha cobertura em NY.

Milhares de lembranças assaltando minha mente.

Eu podia ouvir a gargalhada dela ecoando na sala enquanto ela assistia uma comédia qualquer.

Ou imaginá-la nua em cima do piano enquanto eu a tomava ali.

Ela cozinhando descalça na cozinha…

Merda!

Por isso eu não queria voltar pra NY. Ela estava ali naquele apartamento.

Sua presença era quase palpável ali e eu tive que me esforçar pra não quebrar de novo.

Acendi um cigarro e fui até meu closet trocar de roupa.

Quando eu entrei lá a primeira coisa que eu vi foram suas roupas. As roupas que ela tinha comprado depois que chegou aqui.

Eu peguei uma de suas blusas e cheirei.

O cheiro de Dolce Vita ainda estava forte ali e aquela merda fez meus olhos encherem de lágrimas.

Que merda de homem eu sou?

Nem a mim mesmo eu consigo enganar… eu a amo como se ela ainda fizesse parte da minha vida. Como se ela estivesse ali, na cama, dormindo como um anjo.

O meu anjo.

Eu peguei a caixa de medicamentos e dentro dela a pequena caixinha de veludo preta.

Eu abri e olhei os anéis dentro dela. Meu peito se apertou sabendo que ela nunca saberia deles.

Meu indicador correu pelas letras gravadas e aquilo só me deu mais certeza que eu nunca mais amaria alguém.

Eu não conseguiria substituí-la. Jamais conseguiria.

Eu saí do closet com a caixa de veludo nas mãos.

E enquanto eu fazia minhas malas pra ir pra Forks, ela estava em cima da cama.

Quando acabei, não sei por que, eu senti uma necessidade de levar aquilo comigo.

Talvez os anéis fossem a garantia que ela existiu quando eu olhasse pra eles.

Talvez fosse um meio de lembrar o seu rosto, seu cheiro, seu gosto… tudo que eu achava que eu tinha esquecido, mas que eu estava mentindo pra mim mesmo durante todo esse tempo.

Minha família esteve aqui na manhã seguinte e graças a Deus eu e Jasper estávamos bem.

Eu amava demais meu irmão e ouvi-lo dizer aquelas verdades pra mim só me fez acordar. Ele fez como havia dito, se afastou de mim durante um bom tempo, mas logo ele percebeu que eu havia mudado e voltamos a ser como éramos antigamente.

Eu me despedi deles e embarcamos.

Eu, meu pai e a equipe que estava indo assistir a tal gestante no fim do mundo.

O vôo durou longas 6 horas, afinal era na outra costa do país.

Chegamos de noite em Forks, uma van do hospital foi nos buscar em Seattle e assim que eu cheguei ao hotel que nos reservaram eu apaguei na cama.

Quando acordei no dia seguinte, tomei um banho quente e segui pro pequeno restaurante.

Eu estava morrendo de fome e precisava tomar no mínimo um café antes de ir pro hospital e conhecer a paciente.

Quando eu entrei no restaurante eu vi que só tinha uma pessoa lá.

E era Victoria.

Eu pensei em voltar pro meu quarto e esperar mais alguns minutos pra voltar pro restaurante, mas ela já tinha me visto e o pior, me chamou.

Eu andei até ela e a parei a sua mesa.

- Bom dia Victoria.

- Bom dia Edward, pode sentar? Eu queria conversar com você. – ela disse.

Eu assenti, mas antes de me sentar com ela eu me servi com um café da manhã colonial que estava servido no restaurante e voltei a mesa.

- Na verdade, eu queria te pedir desculpas por tudo que eu fiz nos últimos meses. – ela começou. – Deus! Só de lembrar eu me sinto uma vadia e morro de vergonha de olhar pra você.

- Tudo bem Victoria, vamos esquecer isso, ok? – eu pedi. – Nós precisamos trabalhar juntos pra salvar aquelas 3 vidas e agora é isso que importa.

Ela sorriu e assentiu.

Nós conversamos sobre amenidades enquanto comíamos e logo o restante da equipe se juntou a nós no restaurante.

A mesma van do hospital que nos pegou no aeroporto nos levou até o hospital depois do café da manhã.

Nós tivemos uma reunião com a equipe e com o obstetra do hospital local, que me passou o caso de Lauren e seus bebês.

O caso era complicado, mas não impossível. Os bebês eram siameses, mas tinham tudo separado. A única coisa que os ligavam era o osso da pelve e o crânio. Eles dividiam certa de 30% desses ossos. E alguns músculos e nervos estavam envolvidos.

Era ai onde Victoria e Alec, o neurocirurgião infantil, entravam.

- Nós precisamos definir se eles vão ser separados assim que nascer. – Alec disse.

- Eu aconselharia que não. – Peter, um dos pediatras disse. – Eles vão nascer prematuros e com o sistema imunológico muito baixo, eu aconselho esperar no mínimo um mês pra separarmos.

- Eu concordo com Peter. – eu disse. – Nós vamos fazer o parto daqui a um mês. Os bebês terão apenas 37 semanas, acho muito arriscado separá-los de imediato.

- Então resolvemos isso? – Carlisle quis saber. – Edward fará o parto daqui a 1 mês e todos estarão presentes pra avaliar os bebês assim que nascerem. Depois que ganharem peso e se fortalecerem nós os separamos.

Todos assentiram e nós fomos finalmente conhecer Lauren.

No quarto dela tinha um rapaz loiro. Ele vestia um jaleco com o emblema do hospital, mas conversava com a menina como se fossem íntimos.

- Boa tarde! – os cumprimentei. Ela sorriu e o garoto levantou da cama dela. – Meu nome é Edward e eu vou fazer seu parto, ok?

Ela assentiu.

- Alguma pergunta Srta. Moore? – eu olhei pra ela.

- Não, eu estou apenas com um pouco de medo. – ela fez uma careta. – Por eles… – ela acariciou seu ventre dilatado.

O homem loiro segurou sua mão e eles sorriram um pro outro.

Eu não pude conter a inveja que eu senti deles.

Lauren era um ano mais velha que Bella e o garoto loiro também não ficava atrás dela na idade.

- Você precisa relaxar Lauren. – o garoto loiro disse. – Eles vieram de NY pra cuidar de você querida. Você está em boas mãos, fique tranqüila.

- Esse é Mike. – Lauren disse. – Mike Newton, ele é o pai dos bebês. – ela sorriu.

- E futuro esposo dela. – ele esticou a mão pra mim e eu o cumprimentei com um aperto de mãos.

Toda a equipe foi apresentada a Lauren e a Mike e cada um falou sua parte, a parte que exerceriam na vida de Lauren e dos bebês.

Nossa prioridade era salvá-los, mesmo que eles precisassem ficar unidos o resto da vida.

Nós fizemos todos os tipos de exames, mesmo Mike reclamando que ela os havia feito há pouco tempo.

Mike era residente de medicina no hospital, justamente em obstetrícia. E eu não sei por que, mas achava que ele, em alguma hora, me atrapalharia.

Eu estava estudando o prontuário de Lauren na sala dos médicos.

Ela era residente aqui de Forks, 22 anos e seus bebês eram dois meninos…

A porta foi aberta e eu vi Alec entrar na sala.

- Vamos jantar em um restaurante aqui perto, está a fim? – ele disse se sentando ao meu lado.

- Não sei Alec, estamos o dia inteiro nesse hospital e eu estou exausto. – eu disse deixando o prontuário de lado e esfregando o rosto.

- É só um jantar cara, não é uma balada. – ele riu. – E além do mais o restaurante de Sue foi super recomendando.

Eu o olhei surpreso.

- De quem? – perguntei.

- Me disseram que o nome da dona do restaurante é Sue. Sue Clearwater. – ele deu de ombros.

Quantas Sues eram possíveis existir no mundo?

Meu coração deu um pulo no peito e eu fui invadido por uma onda de esperança que quase me derrubou.

Eu me lembro de quando ela me disse que seu pai morreu em Seattle e Forks ficava perto de Seattle, uma hora mais ou menos.

Forks era uma cidade do interior, como ela chamava sua cidade…

E de repente tudo se encaixou.

- Ela está aqui! – eu sussurrei encarando fixamente o pé da mesa.

- Oi? – Alec estava confuso.

Deus! E se Forks fosse a cidade do interior que ela tanto dizia?

Ela nunca tinha mencionado o nome da cidade, mas eu sabia que era Forks. Eu sentia.

- Cara, tá me assustando! – Alec passou a mão na frente do meu rosto.

Eu o olhei e disse.

- Eu vou ao restaurante.

- Ótimo! – ele se levantou. – Estaremos lá fora em 15 minutos.

Assim que ele saiu, eu me levantei e fui até a recepção.

- Oi? – chamei a menina que ficava ali. – Pode me dar uma informação?

- Claro Dr. Cullen. – ela sorriu amavelmente.

- Charlie Swan e sua filha são daqui? – perguntei.

Eu tentava controlar a tremedeira em minhas mãos e o suor na minha testa.

Eu a odiava nesse momento, mas a possibilidade de vê-la mais uma vez rasgava meu peito idiota.

- Sim. – ela disse. – Mas infelizmente o Chefe Swan não está mais entre nós. – ela disse triste. – Ele era um bom homem…

Qual a probabilidade de isso acontecer? Digo, eu acabar indo parar em um fim de mundo onde ela estava?

Se me perguntassem há 2 dias atrás eu diria que essa chance era nula, mas aqui estava eu, na cidade natal dela.

- A… a filha dele… – eu engoli seco. – A filha dele… está na cidade?

Ela assentiu.

- Está sim. – ela disse. – Ficamos muito felizes de Isabella ter voltado depois de tanto tempo.

Eu precisei me escorar no balcão da recepção.

Eu queria perguntar mais a ela. Perguntar onde ela estava, como eu fazia pra encontrá-la, se ela estava bem… mas a equipe chegou e eu fui arrastado da recepção por pessoas animadas e famintas.

- O que houve? – meu pai perguntou quando entramos na van.

- Ela está aqui. – eu disse angustiado. – Ela mora aqui nessa cidade pai. Você me mandou pra cidade natal dela.

Eu não o estava culpando, apenas dizendo.

- Bella? – perguntou chocado. – Bella, mora em Forks?

Eu assenti agarrando meus cabelos e abaixando a cabeça.

- Edward… eu… eu não sabia. – ele gaguejou. – Eu juro que não sabia que ela estaria aqui… – eu o cortei.

- Está tudo bem pai. Eu só não esperava por isso. – disse nervoso.

- Eu estou vendo. – ele disse preocupado. – Isso mexeu com você.

Eu o olhei. Havia lágrima nos meus olhos.

- Eu a amo pai… como não mexeria? – balancei a cabeça. – Eu não a vejo a exatos 4 meses… como não mexeria saber que eu posso estar no mesmo quarteirão que ela ou que ela pode estar nesse restaurante que estamos indo?

A van parou.

- O que você está dizendo meu filho? – perguntou confuso.

- Esse restaurante é de uma tia dela. – falei. – Sue… é tia dela.

O queixo dele caiu e ele afagou as minhas costas tentando me confortar.

- Vocês vêm ou não? – Alec nos chamou da porta da van.

Meu pai me lançou um sorriso encorajador e saímos.

O restaurante era pequeno, simples e o toque rústico que ele tinha o deixava totalmente acolhedor.

Mas aquilo não estava me ajudando…

Eu estava nervoso pra caralho e tudo que eu queria era encontrá-la ali.

Eu sei que ela não me amava e que ainda tenho raiva dela por tudo que ela me disse, mas por Cristo! Eu só precisava vê-la.

Meu maldito lado masoquista gritava pra vê-la.

- Podemos comer no hotel se quiser. – meu pai disse quando chegamos a porta.

Na certa ele estava sentindo minha tensão.

- Não… eu quero ficar. – eu assenti.

Meus olhos varrendo o local, mas eu não a vi.

Até que uma mulher se aproximou do nosso grupo. Ela era morena, tinha fortes traços indígenas e seus longos cabelos negros chegavam quase a sua cintura.

- Olá, boa noite! – nos cumprimentou. – Meu nome é Sue, queiram me acompanhar. Eu reservei uma mesa pra você quando me avisaram que vinham.

Nós a seguimos e nos sentamos em uma longa mesa no local.

Eu não tinha fome nenhuma, a única coisa que eu sentia era meu estômago doer de nervoso.

Uma mulher mais jovem veio até nossa mesa e nos deu os cardápios.

Eu disse que iria comer o que o meu pai pedisse.

Meus olhos ainda varriam o local e eu não queria desviá-los pra olhar o cardápio.

Alguns rapazes pediram cerveja e quando me ofereceram eu apenas assenti.

Todos conversavam animados a mesa e até Victoria que era a única mulher entre nós estava participando, mas eu não conseguia ouvir uma palavra do que eles diziam. Eu so sabia que eles falavam por causa dos seus lábios se mexendo.

- De quem são as cervejas? – meu corpo congelou no exato minuto que aquela voz doce de anjo entrou pelos meus ouvidos.

Eu senti a mão de Carlisle apertar meu braço e eu me estiquei pra olhá-la. Eu estava no final da mesa, há uns 4 metros dela.

Deus! Ela continuava linda e meu coração ainda batia frenético no peito por ela.

Ela sorria enquanto colocava as canecas de cerveja na mesa. Ela sorria com os olhos.

Seus olhos castanhos estavam tão vivos, tão… iluminados.

Ela estava feliz, isso qualquer um veria.

Ela perguntou a Peter de quem era a outra cerveja e ele apontou pra mim.

Quando ela olhou pra onde ele apontava, seus olhos morreram e ela levou à mão direita a boca deixando a caneca cair no chão. Surpresa, talvez chocada de me ver ali.

Mas foi sua mão esquerda que me chamou atenção. Ao mesmo tempo em que ela tapou a boca com uma delas a outra pousou em seu ventre… dilatado.

Ela estava grávida?

Ela estava visivelmente grávida e pela minha experiência estava de 5 a 6 meses.

Ela usava um vestido florido que acentuava sua barriga e um casaquinho azul claro por cima dele.

O maldito magnetismo que existia entre nós me fez levantar e querer ir até ela, mas quando eu fiquei em pé meu pai segurou firme o meu braço, me puxando pra que eu sentasse de novo e Sue a tirou dali.

- Edward? – meu pai me chamava. – Meu filho?

- Ela está grávida! – sussurrei chocado.

- Sim, eu sei. Eu vi. – seu aperto ainda estava forte em meu braço.

Eu sabia que tinha possibilidade daquele bebê não ser meu. Afinal se nós nos descuidávamos, ela provavelmente deveria se descuidar com seus outros clientes também.

- Eu preciso falar com ela. – me levantei soltando o braço do meu pai do meu e saí dali.

Ela ainda me chamou e tentou me segurar novamente, mas me desvencilhei dele.

Ela me devia explicações, muitas na verdade.

Eu cheguei até a calçada, mas não a vi.

- Merda! – praguejei segurando meus cabelos com força.

- Sr. Cullen? – uma mulher me chamou. – Será que podemos conversar? – quando me virei eu vi Sue.

Eu assenti e entrei.

Ela me levou até um pequeno escritório e se sentou.

- Sente-se. – ela apontou uma cadeira.

- Não obrigado. – tentei não soar rude demais.

Quando Sue ia dizer alguma coisa a porta foi aberta com violência.

Era uma garota, devia ter a idade de Bella, mas seus traços indígenas também eram bem marcados. Deduzi ser Leah, filha de Sue.

- Seu babaca! Que direito você pensa que tem de vir até aqui?! – ela gritou comigo me empurrando pelo peito. – Seu merda! Eu quero que você saia dessa cidade! Agora! Eu juro que se acontecer alguma coisa a Bella eu mato você desgraçado!

- Leah! – Sue não a repreendeu, apenas a chamava. – Espere lá fora que eu preciso conversar com o Sr. Cullen.

- Idiota! – ela murmurou antes de sair.

- Me chame de Edward, por favor. – eu pedi a Sue esfregando a palma no rosto.

- Antes de mais nada Edward eu quero saber o que está fazendo aqui em Forks? – ela perguntou calmamente. – Não me leve a mal. Eu não tenho nada contra você, mas Bella é como uma filha pra mim e eu viro uma leoa quando o assunto são meus filhos.

Eu não sei por que, mas eu senti a necessidade de me abrir com ela.

- Eu não sabia que ela estaria aqui Sue. – comecei. – Eu fui chamado pra cuidar de Lauren e os gêmeos e hoje a tarde eu fiquei sabendo que Bella morava aqui.

- Uhm… eu fiquei sabendo que uns médicos viriam cuidar da menina Moore, mas eu não sabia nomes. – ela disse pensativa. – Então, você não está aqui por causa de Bella?

- Não. – respondi. – Quer dizer… não até a tarde de hoje. Agora eu realmente preciso conversar com ela.

- Escuta Edward. – a calma na voz dela me irritava. – Eu não gosto de julgar as pessoas e sempre achei que minha menina agiu errado ao sair daquele jeito de NY. Ela devia ter conversado com você ao invés de escutar atrás da porta e interpretar da maneira que ela queria. Como Bella se sentia suja, ela achou que você estava se referindo a ela… – eu a cortei.

- Conversa? – perguntei confuso.

- De acordo com ela, foi uma conversa que ela ouviu você ter que a fez vir embora. – Sue disse. – Ela disse que você a chamava de puta e que nunca a amou.

Então eu me lembrei… a conversa que eu tive com Emmett ao telefone no dia que ela foi embora.

Porque ela simplesmente não me perguntou de quem eu estava falando?

Meu Deus Bella!

- Eu não estava falando dela Sue. Eu jamais me referiria assim a Isabella. Eu a amava… – me defendi.

- Amava? – ela levantou uma sobrancelha. Eu assenti. – Ela me contou tudo o que se passou com ela desde que ela saiu daqui Edward e primeiramente eu devo lhe agradecer pelo que fez com Phil. Se você não fizesse, eu faria. – ela assentiu confirmando suas palavras. – Quero que você saiba que eu soube o que a minha menina fazia pra ganhar a vida em NY e mais uma vez vou te agradecer por ter tirado ela de lá. – ela puxou o ar. – Agora eu te perguntou… você a ama?

Eu levantei minha cabeça e a olhei.

- Não estou querendo me meter na sua vida meu filho. Eu só estou querendo acabar com o sofrimento da minha menina.

- Ela não me ama Sue, porque estaria sofrendo? – o ácido na minha voz amargou minha boca.

- Edward, o pior cego é aquele que não quer ver. – ela disse. – Isabella ama você. Acredite! Minha menina chegou destruída a Forks e semanas depois descobriu que estava grávida. Foi isso que a manteve viva… a menina que ela carrega é a esperança dela agora. Você sabe que a gravidez dela é de risco certo? – eu assenti.

Bella esperava uma menina. No mesmo instante eu imaginei uma menina pequena e com olhos chocolates incrivelmente profundos, como os da mãe.

- Ótimo, por isso vou pedir que você não a procure ainda. Ela saiu nervosa e abalada daqui agora e eu nem sei o que aconteceria a ela se ela perdesse aquela menina.

- Eu posso vê-la? Eu preciso vê-la Sue. Eu… eu não quero que ela perca o bebê. – disse com a voz embargada.

- Vocês foram inconseqüentes, Edward. Deviam ter se protegido, sabiam que ela não poderia engravidar agora, mas isso já não importa. – ela fez um gesto com as mãos. – O que importa é que Bella deseja essa menina mais que tudo e só nos resta pedir a Deus por elas.

Eu sentei derrotado na cadeira que ela havia mandado que eu me sentasse minutos atrás.

- Eu preciso saber se ela é minha Sue. – Deus! Como eu desejava que essa criança fosse minha. – Me diga onde ela está, eu só preciso saber isso. Eu posso até deixar Forks depois…

- A menina é sua, Edward. – eu a olhei e não consegui mais segurar as minhas lágrimas.

Eu não me importava de chorar na frente de uma estranha.

Eu ia ser pai… eu teria minha própria filha e Bella me negligenciou meses do início da vida dela.

- Sei que Bella te disse que esteve com outras pessoas, mas isso também é mentira. – Sue me disse. – Ela mentiu pra se defender quando pensava que você não a queria mais.

Eu levantei meu rosto molhado e a fitei.

- Porque está fazendo isso por mim? – perguntei tentando conter alguns soluços.

- Porque Bella te ama e você é o pai da filha dela. Vocês foram inconseqüentes e precipitados e precisam se acertar porque essa menina precisará de um pai caso aconteça alguma coisa a Bella.

Meu peito doeu por saber que alguma coisa podia acontecer a Bella.

Eu podia ser o pior egoísta do mundo, mas no momento eu não me arrependia de não termos nos protegido.

Nós iríamos ter uma filha! Nossa filha… nosso anjo.

E tudo daria certo. Eu mesmo cuidaria de Bella agora.

- Eu preciso voltar a trabalhar. – Sue disse se levantando.

Eu também me levantei.

- Obrigado Sue. – pedi sinceramente.

- Não me agradeça ainda meu filho. – ela me abraçou. – Não diga a Bella as coisas que eu te disse. Eu disse apenas na intenção que esses mal entendidos acabem e vocês definam o que querer fazer. Juntos ou não essa menina precisa dos pais… de você e de Bella.

Eu retribuí o abraço que ela me deu e saímos da pequena sala.

Eu saí do restaurante sem me despedir de ninguém. Peguei um taxi que passava na rua e fui direto pro hotel.

Eu me sentei na poltrona do meu quarto tentando processar tudo que Sue havia me dito e quanto mais eu pensava, mas eu sentia necessidade de encontrar Bella e esperar que ela tivesse uma explicação lógica pra em algum momento ter duvidado que eu a amava.

Eu rodava a caixinha com os anéis em meus dedos pensando em como um mal entendido pode estragar duas vidas.

E se eu não tivesse vindo pra Forks, estragaria 3 vidas, porque minha filha nunca conheceria o pai.

Eu estava confuso com tudo isso.

Eu estava com raiva de Bella por ter duvidado de mim, por ter mentido pra mim e ter escondido minha filha.

Eu agradeci mentalmente meu pai por ter me escolhido pra essa equipe, se não fosse isso eu nunca saberia que tinha uma filha.

Pensar nisso só fazia meu sangue ferver ainda mais…

Sue tinha razão… eu não podia encontrar Bella agora. Eu estava com muita raiva dela e acabaria a deixando nervosa e ela não podia se aborrecer estando grávida.

Eu não dormi aquela noite…

Minha mente me lembrava as palavras de Bella quando eu estive em seu apartamento no Brooklyn…

Minha mente projetava imagens da minha filha…

Me dizia que eu perderia Bella por causa da gestação…

E me lembrava de todos os motivos que eu tinha pra odiar Isabella Swan.

Mas quando isso acontecia, meu coração idiota gritava o quanto eu a amava.

E o coração sempre vence a razão.

Continua…

6 Responses to 'Only Hope – Capítulo 22'

  1. Nadine disse:

    OMG! ESTE CAPITULO FOI… NEM SEI.
    QUEROOOOOO MAIS!!

    [Reply]

  2. Marina disse:

    OMG!!!! Preciso de ++++++++ um capitulo!!!!!!!!!!!!!!!!

    Bella gravida de Edward?!????? gravidez de risco?????? O.O!

    Ela não pode morrer!!!! eles têm de ser felizes juntos!!!!!!!! ;)

    [Reply]

  3. Vivi disse:

    UOW. Q emoção, espero q amanhã , eles se encontrem e fiquem juntos. Bjos

    [Reply]

  4. Clarisse disse:

    quero mais!

    [Reply]

  5. gesya disse:

    Eu preciso saber como vai ser o encontro deles. Meu Deus..

    [Reply]

  6. disse:

    Bruninha, parabéns! este capítulo foi TUDO, super bem conduzido e amarrado! Perfeito!
    Td indicava que a Bella ficaria grávida, tb com o fogo destes dois…kkkk…delícia!!!!
    Mas e o risco de morte????? Tenso. Então vc deu uma jogada de mestre heim? Edward fazendo o curso em Londres! Caso de gravidez complicada…desafio de aplicar seus conhecimentos em… Forks!!! Mt bom! e me deixou aliviada tb…
    Agora não vejo a hora de ver estes dois juntos novamente”in love”. Adoro um happy end!
    Tomara que tenha caps extras!

    [Reply]

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