Only Hope – Capítulos 13 e 14

Capítulo 13.

“A partir deste momento a vida começa
A partir deste momento você será o único
Ao seu lado é onde devo estar
A partir deste momento

A partir deste momento eu fui abençoada
Eu vivo somente para sua felicidade
E pelo seu amor eu daria meu último suspiro
A partir deste momento

Eu dou-lhe minha mão com todo meu coração
não posso esperar para viver minha vida com você, não posso esperar para começá-la,
você e eu nunca nos separaremos,
meus sonhos tornaram-se verdadeiros por causa de você

A partir deste momento e enquanto eu viver
Eu vou te amar, isto eu prometo
Não existe nada que eu não daria
A partir deste momento

Você é a razão por eu acreditar no amor,
Você é a resposta das minhas preces
Tudo que precisamos é de um ao outro
Meus sonhos se tornaram realidade por sua causa

A partir deste momento e enquanto eu viver
Eu vou te amar, isto eu prometo
Não existe nada que eu não daria
A partir deste momento
Eu vou te amar enquanto eu viver
A partir deste momento…”

From This Moment On – Shania Twain.

 

 

- Bella POV:

Angela tinha razão…

O amor seria a chave para a minha liberdade.

Eu não quis dizer isso a Edward quando ele pediu que eu falasse sobre a minha tatuagem pra que ele não descobrisse que eu estava apaixonada por ele. Eu não podia dizer que eu concordava com Angela naquilo. Ele não precisava saber que eu ainda esperava um grande amor que fosse me tirar daquela vida.

Sim, eu estava apaixonada por ele.

Em uma semana eu me apaixonei por Edward Cullen.

Teria como não se apaixonar?

Não, não tem como.

Edward era perfeito, em todos os sentidos.

Ele é lindo, carinhoso, cuidadoso, atencioso, tem uma alma incrível, um caráter invejável e é um amante maravilhoso.

Tudo bem que nós nunca tínhamos transado, mas os orgasmos que ele tinha me proporcionado quase me fizeram perder a razão.

Eu estava sozinha em casa agora.

Eram 9 horas da noite e eu estava me sentindo ridícula por sentir falta de Edward. Não tinha nem 3 horas que ele saiu de casa pra ir trabalhar.

Eu tomei um banho assim que ele saiu. Comi alguma coisa e deitei no sofá pra assistir TV, mas ela não conseguia prender minha atenção.

Meus pensamentos vagavam pelo final de semana em Miami.

Aqueles, sem dúvida, foram os melhores dias da minha vida.

Até agora eu ainda não acreditava que tinha contado a Edward sobre Phil. Aquilo me machucava tanto que eu me sentia sufocada, mas quando eu me sentia assim, eu pensava nas palavras doces do meu pai, em seu bigode que sempre me fazia cócegas quando ele beijava minha bochecha e em suas palavras de amor, que ele sempre me dizia a qualquer momento do dia.

Charlie era tudo pra mim. Meu pai, minha mãe, melhor amigo, porto seguro e companheiro.

Perdê-lo foi a pior coisa que aconteceu na minha vida. Pior até que Phil, porque se meu pai não tivesse morrido eu ainda estaria em Forks, talvez estudando na faculdade de Washington e namorando Mike Newton.

Mas por outro lado não conheceria Edward…

Até 2 anos atrás, eu não tinha raiva de Renee. Na verdade eu não sentia nada por ela, eu não a conhecia. Ela me abandonou com Charlie com 6 dias de vida e fugiu pro Arizona.

Nós nos falamos por telefone ou e-mail algumas vezes, eram sempre feriados ou meu aniversário, mas eu nunca tive interesse em estar com ela.

Até aquele dia que meu pai foi assistir ao jogo em Seattle. Eu vejo muito do meu pai em Edward. Os dois acham que são fortes, que agüentam tudo e pensam que são invencíveis.

Foi assim que Charlie morreu… e Edward precisava parar com isso. Eu não suportaria perdê-lo também.

Quando Sue me deu a notícia eu quis morrer também, eu quis que fosse eu no lugar dele. Charlie era novo e apesar de comer um monte de besteiras, era saudável como um cavalo… palavras dele.

Eu fiquei dias em depressão. Não comia, só bebia. Afastei todos de mim, mas eles nunca me abandonaram.

Seth tentava sempre me animar. Leah e Sam também.

Até o dia que Renee descobriu a morte de Charlie e me ligou, dizendo que iria me buscar.

Eu amava a reserva. Eu amava Forks. Mesmo com todo aquele verde, aquela chuva, a neve incessante em dezembro… eu amava Forks.

Mas eu não podia ficar lá e ser um fardo pra Sue. Harry estava com um problema sério de coração e ele precisava de atenção 24hs. Eu não podia intervir na vida das pessoas assim, eu não tinha esse direito.

Foi quando eu tomei a decisão mais errada da minha vida. Morar com Renee.

 Eu me mudei pra Phoenix e ela me matriculou em uma escola pra terminar o ensino médio. No início eu chorava de saudade de Mike, de todos, mas logo isso acabou… assim que minha vida virou um inferno.

Eu sempre desconfiei que tivesse algo errado com minha mãe e Phillipe. Eles viviam pálidos, com as mãos trêmulas, nariz fungando ou sangrando e estavam sempre jogados, ou no sofá ou na cama.

Semanas depois eu descobri o que era.

Cocaína…

Eles estavam cheirando na mesinha de centro. Foi quando Phil me obrigou a experimentar e minha mãe não fez nada.

Hoje eu posso dizer que eu sinto alguma coisa por Renee… ódio.

Ódio por ela me ver no inferno e não fazer nada. Só ela tinha o poder de fazer alguma coisa e ela não fazia nada.

Eu não sei quantas vezes Phillipe usou meu corpo. Perdi as contas durante o tempo.

Mas a primeira vez eu nunca, nunca vou esquecer.

A forma nojenta e doentia que ele me apalpava. Seus dedos entrando em mim e me machucando. Sua boca nojenta me beijando enquanto eu me debatia em baixo do seu corpo e pedia por socorro.

Meu socorro estava a 3 metros de mim, mas ele não vinha.

Phillipe usou meu corpo de todas as maneiras. Ele me fez fazer sexo oral nele e fez sexo anal comigo de uma forma grotesca. Meu lembro de sangrar e não conseguir sentar durante 3 dias.

Eu chorava todos os dias trancada no banheiro ou no meu quarto.

Leah dizia que ia vir me visitar, mas eu pedia pra ela não vir. Eu jamais me perdoaria se Phillipe tocasse nela.

Eu me desesperava quando Renee saia e me deixava sozinha com ele.

Era nessas horas que ele fazia as piores coisas comigo. Como me cortar e me queimar.

Ele passou a fazer isso, me torturar, depois do aborto.

Sim, eu engravidei dele.

 E minha mãe agiu na maior naturalidade, me levando pra fazer um aborto de um filho que era do seu marido. Eu só tinha 18 anos na época.

Doeu tanto, meu corpo foi tão agredido…

Tudo que eu queria era meu pai. Tudo que eu queria era ter esperança que eu voltaria a ter uma vida normal.

Mas eu já estava chegando num estágio que eu achava que não tinha mais esperança. Eu estava condenada aquilo.

Um dia quando acordei Renee estava desacordada na sala. Eu tomei seu pulso com meus dedos e vi que ela estava morta. Tentei acordar Phil, mas ele estava apagado. Eu tomei seu pulso na esperança que ele tivesse morrido, mas eu não tive essa sorte. Ele estava vivo.

Eu liguei pra emergência e eles levaram o corpo de Renee.

Depois daquilo Phillipe surtou. Ele me amarrava, me acorrentava, me proibia de ir pra escola, me torturava, batia, violentava e eu não podia fazer nada.

Até o dia que eu encontrei 500 dólares guardado em seu guarda-roupa.

Eu não pensei duas vezes em “roubar” o dinheiro e cruzar o país de trem.

Não sei porque eu escolhi NY. Acho que eu pensava que aqui as oportunidades seriam maiores, que seria melhor estudar literatura e arrumar um emprego.

Mais uma vez eu estava enganada…

 

Nova York me tragou. Foi como se tivesse sugado minha alma.

Eu vivi dias horríveis aqui, mas nada se comparava ao Arizona.

Quando meu dinheiro acabou eu passei fome e tive que dormir com mendigos em um abrigo.

Até que um dia encontrei Angela por acaso em um café. Eu estava morrendo de fome e ela pagou um café da manhã pra mim.

Nós conversamos. Eu contei minha história a ela e ela me convidou pra morar com ela, mas eu ia ter que ajudar nas despesas e ninguém em NY queria contratar uma menina de 18 anos com notas baixas no último ano da escola.

Foi quando eu conheci Jacob e passei a me vender pra me sustentar.

Jake no início parecia um cara legal. Era atencioso e nos tratava bem. Me arranjou um cliente legal pra minha primeira vez.

Mas quando ele começou com aquele papo de que ele tinha que me aprovar, eu me afastei dele.

Ele foi apenas mais um estupro na minha vida.

Eu não lutei contra ele. Apenas fiquei ali esperando que ele acabasse de fazer o que queria. Era assim que eu funcionava com meus clientes. Era como se eu fosse uma boneca nas mãos deles. Era apenas meu corpo ali, meu espírito já estava perdido. Minha alma vagava tentando voltar pra casa.

Mas isso nunca aconteceu…

Eu me prostituí por um ano.

Consegui enrolar Jacob por quase um ano até ele não agüentar e me forçar.

2 meses depois eu descobri que estava grávida dele e ele me levou pra fazer um aborto.

Não porque ele e eu não queríamos o bebê, mas segundo ele “eu vou perder a minha melhor vadia”.

Aquela foi mais uma agressão ao meu corpo.

Hoje eu choro… meu sonho era ser mãe e eu nunca vou poder ter isso na minha vida.

Eu não sou médica, mas não sou burra.

Eu escutei o médico que me atendeu semana passada dizer…

- Coitada tão nova e não vai poder ter filhos. – um deles disse.

- Por quê? Não tem nada concreto Luka. – outro médico disse.

- Robert… essa garota tem 18 anos, foi estuprada e é o segundo aborto. Você acha que o útero dela ainda agüenta uma terceira gestação? Eu te digo que não.

Depois daquelas palavras eu me forcei a não ouvir mais… eu não queria mais ouvir.

Depois de tudo isso, Edward apareceu na minha vida.

Um anjo de cabelos dourados sentado na mesa que eu deveria servir.

Eu passava tão mal naquele dia. Eu estava sangrando e com cólicas fortes por conta do aborto que eu tinha feito no dia anterior que eu mal o via.

Mas quando ele enfrentou Jacob daquele jeito por mim. Quando ele mandou que eu me vestisse que iríamos embora dali, eu consegui sentir uma pontada de esperança.

Talvez fosse ele. – pensei. – Talvez seja ele.

Ele me chama de anjo, mas o anjo é ele. O meu anjo.

Eu seria louca se não aceitasse sua proposta de ficar aqui em sua casa.

Eu não queria o dinheiro dele. Eu só queria ficar perto dele.

Pelo menos até nosso prazo acabar…

Eu fui tirada dos meus pensamentos pelo toque do meu celular.

Era Edward.

Eu sorri pro telefone e enxuguei algumas lágrimas que eu derramei sem perceber.

 - Oi.

- Está tudo bem? – ele perguntou preocupado. – Estava chorando Bella? Você está com dor?

- Está tudo bem Edward. – lhe garanti.

- O que houve anjo? – ele perguntou e eu sorri ao ouvir o meu novo apelido.

- Apenas lembranças… – disse baixinho.

- Por favor, se for lembrança ruim pare de pensar nela agora. – ele disse divertido.

- Vou parar. – acabei de secar meu rosto com o dorso da mão.

- Não te quero triste anjo, por favor. – ele pediu.

- Você não devia estar trabalhando? – brinquei.

- Devia, mas algo me mandou ligar pra você. – podia jurar que ele estava sorrindo torto. Meu sorriso favorito.

- Uhmm… além de médico Edward Cullen é vidente. – nós rimos juntos.

- Eu tenho que ir…

- Tudo bem.

- Fique bem e qualquer coisa me liga, ok? – ele pediu.

Nos despedimos e eu desliguei.

Dois segundos depois meu celular tocou de novo. Pelo toque personalizado eu sabia que era da casa de Sue.

 - Oi tia.

- Bella querida, como você está? – ela perguntou. Sua voz parecia triste.

- Bem tia e todos por ai. E o tio? – perguntei.

- Seth está bem, estamos nos preparando pra formatura dele. – ela disse. – Leah e Sam estão pensando em ficar noivos e Harry… ainda está internado.

- Mande um beijo pra Seth e Leah por mim Sue e assim que eu puder vou te mandar o dinheiro do tratamento do Harry. – eu disse.

- Não foi pra isso que eu te liguei querida, você sabe que não precisa fazer isso. – ela chorava.

Me partia o coração ver Sue triste e sofrendo. Ela implicava comigo por ajudá-la a pagar o tratamento hospitalar de Harry e nem imaginava da onde saia o dinheiro que eu a mandava toda semana, mas eu devia tanto a eles que eu precisava ajudá-los.

- Eu sei tia. Eu sei que não aprova que eu mande o dinheiro, mas você sabe que eu faço questão e sabe também que sem o dinheiro que eu mando Harry não teria sobrevivido, então pare de fazer pirraça. – brinquei.

- Ok, querida. Seth e Leah te mandam um beijo e venha nos visitar em breve. Nós amamos você.

- Eu sei tia. Também amo vocês. – eu disse com a voz embargada.

 – Diga a Leah pra mandar um beijo pros meninos da reserva, ok?

Nos despedimos e eu desliguei.

Desliguei a TV e me deitei no sofá.

 Meu peito estava apertado e eu estava me sentindo melancólica.

Eu queria voltar meus pensamentos onde eu havia parado, mas eu não queria mais sofrer. Não queria mais chorar.

Eu estava vivendo a melhor fase da minha vida nos últimos 2 anos.

Edward era tudo que eu tinha hoje e eu não poderia desperdiçar o pouco tempo que eu tinha com ele com pensamentos passados.

Como se ele tivesse adivinhando Edward me mandou um sms.

“Eu sei que ainda esta pensando nisso. Pare, por favor. Vá deitar e esteja cheirando a morangos as 7. Vou dormir com você pelo resto da manhã. EC”

Eu não respondi a sua mensagem.

Eu não precisava responder… ela sabia que eu ia fazer o que ele queria.

Eu sempre faria o que ele me pedisse.

Fui pro quarto passei meu hidratante de morango e deitei.

Já passava das 10 e eu estava mesmo cansada.

Dormi pensando no beijo que Edward me deu no zoológico…

… talvez ele fosse minha única esperança.

 

Capítulo 14.

“Quando encontrar alguém e esse alguém fizer seu coração parar de funcionar por alguns segundos, preste atenção: pode ser a pessoa mais importante da sua vida.
Se os olhares se cruzarem e, neste momento, houver o mesmo brilho intenso entre eles, fique alerta: pode ser a pessoa que você está esperando desde o dia em que nasceu.
Se o toque dos lábios for intenso, se o beijo for apaixonante, e os olhos se encherem d’água neste momento, perceba: existe algo mágico entre vocês.
Se o primeiro e o último pensamento do seu dia for essa pessoa, se a vontade de ficar juntos chegar a apertar o coração, agradeça: Deus te mandou um presente: O Amor.

Por isso, preste atenção nos sinais – não deixe que as loucuras do dia-a-dia o deixem cego para a melhor coisa da vida: O AMOR.”
 

Não deixe o amor passar – Carlos Drummond de Andrade.

 

Depois que eu liguei pra Bella meu plantão foi uma merda.

Eu só conseguia pensar que ela estava chorando sozinha naquele apartamento enorme.

Tudo que eu queria fazer era ir pra casa, tirar minha roupa e deitar ao lado dela.

Tudo que eu queria era ela…

Eu ainda não acreditava que eu tinha me apaixonado. Eu tinha ficado 2 anos com Jessica e não senti por ela o que eu sinto por Bella em uma semana.

Isso era meio confuso. Muito confuso.

Eu nem acreditei quando deu 7 horas e eu pude ir pra casa.

Eu passei correndo pela sala, cumprimentando Lita de qualquer jeito. Tomei um banho de 2 minutos e me deitei ao lado de Bella.

Ela cheirava a morangos… como eu havia pedido.

Eu deitei atrás dela, moldando meu corpo as suas costas, meu braço esquerdo passou por cima da sua cintura e eu a abracei.

- Que horas são? – ela murmurou.

- Cedo meu anjo, durma… – falei na curva do seu pescoço.

- Eu estou cheirando a morango? – ela disse com a voz arrastada.

Eu esfreguei meu nariz do lóbulo da sua orelha até o seu ombro.

- Sim, está. – respondi. – Eu poderia te comer agora…

- Eu sei que sim… – ela riu e puxou meu braço. Apertando meu abraço na sua cintura.

- Durma anjo… – eu beijei seus cabelos e não vi mais nada.

O cansaço me tomou e eu apaguei.

 - Você acha que tem esse direito Edward? – Richard me perguntou.

- Do que você está falando? – perguntei confuso.

- Dela! Eu estou falando dela! – ele gritou.

- Bella?

- Não me importa o nome dela… quem é ela… o que importa é que eu vou tirá-la de você. – ele disse irritado.

- Você não seria capaz! – a raiva saia dos meus poros. – Fique longe dela ou eu mato você!

Ele gargalhou. Aquela risada fria e calculista.

- Eu estou morto Edward, mas da onde eu estou eu posso ver você. – seus olhos me queimaram.

- Vá pro inferno Richard! – cuspi as palavras.

- Eu já estou nele Edward… e estou esperando por você. Pode trazer sua vadia também. – ele gargalhou de novo.

- NÃO FALE ASSIM DELA! – eu gritei. – Vá embora, por favor! Você não existe!

- Eu existo em você Edward… você me mantém vivo enquanto desejar a neve… – sua voz ecoava na minha mente. – Eu sei que você deseja o inverno Edward… inverno traz a neve, mas ela não é fria… ela te esquenta…

- Saía Richard! – falei entre os dentes.

- Me mantenha vivo Edward…me carregue com você. Eu estarei aqui enquanto você não cumprir o que deve ser feito… Você precisa seguir meus passos… eu tenho negócios inacabados e você é meu herdeiro…

- Pára! PÁRA! Por favor, eu não quero mais te ver Richard… saí da minha cabeça. SAÍ RICHARD!

 

- Use-a Edward… Use-a e você voltará a ser um Masen… Use-a… – sua voz produzia eco na minha mente.

De repente tudo ficou escuro. Eu estava assustado. Eu odiava o desconhecido.

Quem viveu uma vida como a minha não gosta de ficar no escuro.

Uma luz foi acesa. Uma única lâmpada pendurada em cima de uma mesa.

Eu me aproximei e vi meu pior pesadelo.

Era cocaína… Só de olhar a intensidade daquele branco eu sabia que ela era pura.

Minha boca ficou seca e minhas mãos tremiam enquanto eu ia me aproximando da mesa.

Quando eu olhei de perto haviam várias carreiras na madeira escura.

Elas formavam uma palavra…

MASEN.

- Use-a Edward… – a voz de Richard ecoou na minha cabeça. – Use-a…

Eu agarrei meus cabelos e caí de joelhos.

- NÃO!

- Edward…

- Não Richard, por favor…

- Edward, por favor.

- Eu não vou usar, eu não quero, pare…

- EDWARD!

 Meus olhos se abriram assim que eu ouvi meu nome ser gritado.

Eu estava ofegante, suado e tremendo.

Quando meus olhos se ajustaram e eu olhei pro lado Bella estava sentada ao meu lado na cama. Sua feição mostrava que ela estava assustada e suas mãos tampavam a boca.

- Me desculpe. – ela pediu. – Você estava tendo um pesadelo e não acordava. Eu tive que gritar.

Eu passei as mãos nos cabelos e fechei os olhos.

Quando eles parariam?

Quando Richard pararia de me atormentar?

Já tinha anos que ele havia morrido naquela prisão, mas mesmo morto ele me perseguia.

- Edward… – Bella me chamou. – Você está me assustando… pode falar comigo por favor?

Eu suspirei e abri meus olhos.

- Está tudo bem Bella. – eu disse. Minha voz saiu áspera sem querer.

- Quer conversar? – perguntou.

- Não.

- Posso fazer alguma coisa por você? – quis saber.

- Não.

- Quer companhia? – ela mordeu os lábios.

Eu não podia tratá-la mal. Foi apenas um sonho e Bella não tinha nada a ver com meus problemas.

Eu não disse nada, apenas estiquei meu braço direito e ela entendeu que era pra deitar ali.

Ela deitou e se aninhou ao meu braço assim que eu a puxei pra mais perto de mim.

Ficamos bons minutos em silêncio.

 - Você está tremendo… – ela disse.

- Já vai passar. – lhe garanti.

Eu a apertei mais no meu abraço e ela ergueu a mão pra coçar minha barba crescida.

- Eu gosto dela assim. – ela disse enquanto seus dedos escovavam meu rosto.

- Eu sei que gosta. – beijei seus cabelos. – Que horas são?

- 8 e alguma coisa. – ela disse. – Você deveria dormir mais, precisa descansar.

- Eles vão voltar se eu fechar meus olhos. – eu disse.

- Eu estarei aqui pra te acordar se isso acontecer. – ela sorriu.

- Obrigado. – lhe retribui o sorriso.

Ela voltou a deitar a cabeça no meu peito e ficou desenhando com os dedos em minha barriga. Senti seu indicador traçar minha cicatriz e logo depois ela se ergueu e deu um beijo ali.

- Durma Edward. – ela pediu.

Eu me mexi na cama e fiquei de frente pra ela. Nosso rosto estava tão perto que eu conseguia sentir seu hálito fresco de hortelã por causa da pasta de dente.

- Você é linda! – eu disse tocando seu rosto.

- Durma Edward. – ela repetiu revirando os olhos.

Eu subi minha mão que estava na sua cintura e a infiltrei dentro da sua camiseta.

- Edward… – ela me repreendeu.

- Eu só quero te sentir… – sussurrei em seu ouvido.

Mas eu não agüentei e gemi assim que minha mão áspera tocou a pele sensível do seu seio.

Ela me acompanhou no gemido e eu apertei seu seio delicadamente. Ela fechou os olhos e mordeu o lábio inferior, me provocando.

Eu queria tanto beijá-la que chegava a doer.

Ela pousou sua mão direita no meu peito e a deslizou, subindo até se enroscar nos meus cabelos, dando um aperto suave neles.

 Eu empurrei meu quadril contra ela, fazendo minha ereção tocar sua barriga. Eu queria que ela soubesse o que faz comigo, como ela me deixa apenas com palavras ou um simples toque.

- Edward, você precisa descansar.. – ela disse com a voz rouca.

- Eu estou descansando. – olhei nos seus olhos.

- Não, não está. – ela riu. – Você está me excitando e está excitado… isso não é descanso.

- Você quer que eu pare? – belisquei seu mamilo fazendo ela soltar um som baixo da garganta. – Ehn?

- Eu quero que você descanse… você não dormiu nada. – ela tocou meu rosto pra depois passar o braço por baixo do meu pescoço. – Vem…

Ela me puxou pra perto dela e eu me aninhei ao seu peito.

- Posso ficar aqui? – rodeei seu mamilo com a ponta do meu dedão pra que ela soubesse do que eu estava falando.

Ela riu.

- Pode.

Ela começou a coçar minha cabeça e eu não agüentei.

O cansaço da segunda agitada, de 12hs de plantão e de um pesadelo horrível me dominou.

Eu não teria força pra levar nem um beijo adiante.

 

Quando acordei estava sozinho na cama. Na verdade eu só acordei porque estava sozinho. Eu fui procurar por Bella e não a encontrei.

A cama estava fria e vazia e não posso negar que aquilo me irritou.

Peguei meu celular e vi que era quase uma da tarde.

Levantei, tomei um banho decente, coloquei uma calça de moletom e fui procurar por Bella e alguma coisa pra comer.

- Boa Tarde Lita! – a cumprimentei assim que entrei na cozinha.

- Boa tarde Sr. Cullen. – ela respondeu. – Vai almoçar ou quer tomar um café antes?

- Vou tomar um café puro primeiro Lita. – a respondi pegando o jornal. – Onde está Bella?

- Ela saiu assim que o senhor dormiu. – respondeu.

- Disse aonde ia? – a olhei.

- Não senhor.

- Ela saiu que horas Lita? – perguntei preocupado.

- Umas nove.

Eu tomei meu café e enquanto Lita esquentava o almoço eu resolvi ligar pra Bella.

- Edward? – ela atendeu.

- Onde você está? – perguntei.

- Oi, né? – ela riu.

- Oi Bella. – disse irritado. – Onde você está?

- Nova York? – ela riu.

Eu bufei. Ela estava querendo me tirar do sério?

- Em que lugar de NY Bella? – tentei não soar grosso.

- Estou na Time Square Edward, relaxe, ok? – ela disse divertida. – Eu precisava resolver uns problemas e tive que sair. 
Acabei de ligar pra casa e Lita disse que você dormia…

- Eu acabei de acordar. – eu disse.

- Ótimo, estou voltando pra almoçarmos juntos. – ela disse e desligou sem nem ao menos se despedir.

Essa garota me deixava confuso.

Eu voltei pra cozinha e abri meu jornal.

Se Bella estivesse mesmo na Time Square, em uns 10 minutos ela estaria em casa.

- Vai esperar a menina Sr. Cullen? – Lita quis saber.

- Vou Lita.

 Quando meu café acabou eu me sentei no sofá da sala. Peguei meu celular e liguei pra Jenks.

Avisei a ele que estaria fazendo a transferência da metade do seu dinheiro, mas que eu queria o serviço feito ainda essa semana. Eu queria que Phil pagasse logo por ter se metido com a garota errada.

- Tem certeza que é só isso que quer fazer Sr. Masen? – ele perguntou.

- Cullen Jenks, Cullen. – o lembrei.

- Desculpe, Sr. Cullen. – ele se corrigiu ultrajado.

- E tenho certeza sim, eu sei como isso funciona. O que eu quero fazer é apenas o ponto de partida. – a porta da sala se abriu e Bella entrou por ela. – Nos falamos depois Jason.

Eu desliguei antes que ele se despedisse.

- Viva e inteira dentro de casa! – ela disse apontando pra si mesma.

- Isso não é uma brincadeira Bella. – eu disse sério. – Eu não quero bancar o seu pai, só quero que continue segura.

Ela se aproximou e se sentou no meu colo. De frente pra mim e uma perna de cada lado do meu quadril.

Eu estava chateado, mas minhas mãos traidoras seguraram seu quadril por cima da calça justa e jeans que ela usava.

- Não é como se meia dúzia de mafiosos estivesse atrás de mim Edward. – ela revirou os olhos enquanto tirava o lenço do pescoço.

- Eu sei, mas Jacob pode estar, ou pior, Phil pode estar. – ela se tencionou no meu colo e me olhou séria. Quis sair de cima de mim, mas eu a prendi. – Entende agora a minha preocupação? – perguntei. – Tudo que eu faço é pelo seu bem Bella… não custava nada você ter dito onde ia ou me avisado.

- Me desculpe. – ela fez um bico.

- Só não faça de novo. – a puxei pra um abraço, me entorpecendo com seu cheiro e a ajudando a tirar o sobretudo.

Ela agarrou meus cabelos e começou a beijar meu pescoço, minha orelha, minha bochecha… até colar seus lábios nos meus me beijando sem pudor e com muita vontade.

Sua língua acariciava a minha e eu segurei seus cabelos, inclinando sua cabeça pra que minha boca se encaixasse na dela.

 

Ela gemia e se mexia no meu colo quando nossas línguas se tocavam. Ela subia e descia se esfregando em mim como se estivéssemos encaixados.

- Uhm… Bella? – a chamei contra seus lábios. – O almoço… – a lembrei.

- Oh sim… o almoço. – ela mordeu meu lábio inferior. – Eu não quero o almoço

- E o que você quer Bella? – provoquei.

- Você… – ela se afastou dos meus lábios. – Dentro de mim… – sussurrou no meu ouvido. – Deus Edward! Eu não vou agüentar 3 meses… – ela jogou a cabeça pra trás.

- 1 mês? – ela me olhou surpresa. – 1 mês, você agüentaria?

- Mas você disse 3? – ela perguntou confusa.

- Bom, eu disse, que eu Dr. Cullen indico 3 as minhas pacientes, mas na verdade é apenas 1. – dei de ombros.

- Seu cretino! – ela deu um tapa estalado no meu ombro.

Eu me levantei com ela no meu colo.

- Vamos almoçar meu anjo. – eu disse depois de lhe beijar.

Eu coloquei ela sentada em um dos bancos da cozinha e nós almoçamos.

Bella tinha uma boa relação com os empregados da casa. Ela tinha uma facilidade pra conversar com eles.

Foi assim com Lupe e estava sendo assim com Lita.

Eu a olhava fascinado enquanto ela conversava sobre receitas com Lita.

O resto do dia, ficamos embolados no sofá, cobertos por um grosso edredom e tomando sorvete enquanto assistíamos alguns filmes e seriados de comédia que Bella escolhia.

-

Na quarta eu liguei pra Jenks e conversamos com calma enquanto Bella dormia.

Eu expliquei a ele meu plano e ele disse que teria que ser amanhã por causa do antidoping.

Eu apenas dei carta verde a ele.

Naquele dia meu plantão foi uma merda, porque mais uma vez eu só pensava em Bella e tentava me esquivar de Victoria.

-

 

Na quinta Jenks me ligou dizendo que o serviço tinha sido feito e era só esperar o resultado.

Depois da sua ligação eu fiquei me sentindo uma criança na véspera de natal.

Feliz e ansiosa.

Eu levei Bella pra almoçar fora e passeamos pela 5ª avenida. Depois de muita insistência, ela fez compras pra ela.

Na sexta-feira eu acordei com meu celular tocando.

E eu queria matar o filho da puta porque não eram nem 8 da manhã.

- Alô? – atendi puto, mas sussurrando pra não acordar Bella.

- Sr. Cullen? É Jenks.

- Jenks você tem relógio? Porra é cedo pra caralho! – disse irritado.

- Tudo bem, tudo bem… vou desligar então. Eu tinha uma noticia, mas você está muito irritado pra isso. – ele estava se divertindo.

Filho da puta.

- Fala logo Jenks, eu preciso dormir. – olhei Bella.

- Dê uma olhada na primeira página do jornal Edward e bom dia. – ele desligou.

Perdi a porra do meu sono.

Como eu conseguiria dormir sabendo que tinha algo a ser visto no jornal?

Dei um beijo na testa de Bella e sai do quarto.

- Bom dia Lita.

- Bom dia Sr. Cullen.

- Meu jornal? – perguntei.

- Oh…- ela bateu na testa. – Vou pegar, deixei no aparador quando cheguei.

Ela saiu da cozinha e em 5 segundos voltava com meu New York Times nas mãos.

- Obrigado.

Agradeci pelo jornal e o café que ela colocava pra mim no balcão.

Dei um gole no líquido quente e olhei o jornal, mas quase engasguei quando eu vi a manchete gigante na primeira página de um dos principais jornais do mundo.

 

“Quarterback do Cardinals pego no antidoping. Ex-viciado em cocaína, Phillipe Dwayer é flagrado com a substância no organismo. Segundo o treinador ele estará fora do Superbowl.”

Eu tive que rir e Lita me olhava confusa.

Voltei a ler a manchete.

Lá dizia todo o histórico de ex-viciado de Phil e que ele já tinha sido pego em 3 antidoping por causa de cocaína. O presidente do time dizia que o afastaria por tempo indeterminado e que Phil negava ter usado a droga.

Claro que ele não usou! Jenks colocou umas gramas na sua bebida.

Isso devia ter rendido a ele uma boa gastrite.

- O que é tão divertido? – Bella perguntou entrando na cozinha.

Ela vestia uma camisa cinza minha e eu sabia, eu tinha certeza que ela ainda estava com aquela calcinha vermelha minúscula por baixo.

- Nada. – pousei o jornal no balcão tentando conter meu sorriso.

Ela fez aquela cara de desafio e pegou o jornal.

Bingo!

- Sente-se meu anjo. – pedi.

Ela se sentou com o jornal nas mãos e eu me inclinei pra lhe dar um selinho nos lábios.

Ela sorriu e olhou o jornal.

Puta merda eu estava rindo.

 

Ela começou a ler e ficou séria.

Séria demais pro meu gosto.

- Me diz que você não tem nada a ver com isso Edward.. – ela pediu.

- Eu? – usei toda falsa indignação que eu podia reunir. – Bella o cara é a merda de um viciado. Ele cheira e o problema é meu? 

- Porque você ria então? – ela perguntou confusa.

- Bella, eu sei que é feio rir da desgraça alheia… mas esse desgraçado merece coisa pior. Ele merece ser um nada, não ter nada… assim como ele fez com você. – eu disse.

Como ela poderia estar chateada com isso?

Eu estava me divertindo às custas daquele infeliz, só isso.

- Edward, você não é invencível. Pare de fazer as coisas achando que nada tem conseqüência. Eu não quero ter que te socorrer a qualquer momento quando um desses… – ela sacudiu o jornal. – Filhos da puta vierem atrás de você.

- Não será preciso. – eu me levantei irritado.

- Tome seu café Edward. – ela ordenou.

- Pedi a fome. – eu saí da cozinha e fui pro meu quarto.

 Eu tirei a roupa ainda no corredor e entrei direto pro banheiro.

Liguei o chuveiro na água bem quente e entrei deixando a água tentar me relaxar.

Eu não entendia porque Bella tinha ficado tão chateada com aquilo.

Eu não fiz nada demais. Nada do que eu queria ter feito. Como matá-lo por exemplo.

Aquilo não era nada, eu só ia afundá-lo ao ponto de ele não conseguir mais sair do próprio buraco que cavou.

- Edward? – Bella me chamou.

Eu levantei minha cabeça e virei pra porta, encontrando ela apenas de calcinha parada ali.

Aquela porra de calcinha vermelha.

- Põe uma roupa Bella. – me virei de novo pra parede. – Vá se vestir.

2 segundos depois eu senti seus braços pequenos rodearem minha cintura.

- Eu não fiquei chateada por aquilo anjo. – ela beijou minhas costas.

 

– Eu só tenho medo que alguém venha atrás de você Edward… eu… não posso te perder.

- Bella… – suas mãos que estavam espalmadas no meu peito desceram até a minha barriga e depois até meu membro. – Bella… – gemi.

- Entende como vou ficar sem você anjo? – ela perguntou enquanto alisava meu comprimento. 3 segundos e eu estava duro na mão dela. – Entende?

- Umhum… – eu fechei os olhos e gemi.

 

- Eu não ligo praquele filho da puta Edward, mas me importo com você, consegue entender? – eu assenti. Se eu abrisse a boca nada coerente sairia dali. – Obrigada.

Eu sabia que ela estava me agradecendo por afundar aquele merda.

Eu decidir esquecer aquele assunto. Pelo menos enquanto suas mãos estivessem em mim.

Eu coloquei uma de minhas mãos em cima da sua e as movimentei juntas.

- Bella… eu não vou agüentar. – disse embolado.

Ela tirou suas mãos de mim, mas antes que eu pudesse reclamar ela me abocanhou e eu gozei na boca dela.

Eu a suspendi pelos ombros e colei minha boca na dela, quase a devorando inteira enquanto o toque da sua língua na minha me deixava duro de novo.

Eu virei nossos corpos e a colei na parede.

Me ajoelhei no chão, puxando sua perna por trás do joelho e a colocando em cima do meu ombro.

Eu passei minha língua por sua entrada e a invadi com dois dedos.

Ela soltou um grito baixo e agarrou meus cabelos enquanto minha língua passeava por seus lábios e seu ponto sensível.

Eu a suguei uma última vez e ela gozou.

Eu sabia que ela gostava disso… era como o tiro de misericórdia.

- Oh meu Deus! – ela fechou os olhos e colocou a mão no peito.

Eu me ergui e a beijei.

Eu estava me segurando pra não tomá-la ali naquela parede fria do Box.

Aquela era nossa rotina de quase todos os dias… provocações, mãos, sexo oral e eu já estava ficando louco pra tê-la pra mim.

Continua….